De
quantos “finais dos tempos” a humanidade precisa, quantos gritos eloqüentes
dos que bradam em praças públicas ou nos Templos, nas ruas, ou nos lares
advertindo de que o fim do mundo está próximo, de quantos falsos profetas que
pregam o medo, a separação de classes religiosas, a discriminação e o engodo se
precisa para que possamos perceber que de fato o mundo não vai acabar pela
nossa imposição, medo ou vontade? Quando
o homem se dará conta por si só de que a terra, por mais que sofra as agruras
do comportamento humano sempre encontra meios de se recompor.
Pela ciência podemos observar, no que se refere a natureza, que ao longo dos milênios nas civilizações, os homens passaram, mas a terra continuou soberana, exuberante, e se adequando a cada geração!
È lamentável que o homem comercialize esse tal “Fim”, que se locuplete de mentes infantis, estes que crêem que estamos fadados a perecer e que a raça humana será dizimada e nada restará. As lendas e crendices encontram mais forças na mente humana do que o raciocínio lógico, de tempos em tempos e cada vez com mais freqüências as trombetas “dos finais dos tempos” ecoam, e agora com mais abrangências pelos meios tecnológicos e em tempo real, é lastimável que muitos não só crêem como se preparam para tais acontecimentos e muitos apavorados adiantam esse possível “Fim” tirando a própria vida com medo da tal fatalidade.
Porque esse tópico exerce tanto fascínio em alguns? Será porque, uma vez sabendo que a vida física é findada a qualquer momento essa seria uma boa forma de morrer, uma morte coletiva deixando claro que todos perecerão e terão companhias nessa hora complexa? Qual é realmente o grande interesse de muitos núcleos religiosos em discorrer, fomentar e multiplicar esse tal momento extremo? Porque muitos núcleos religiosos pregam as boas aventuranças apenas após a morte, como se a vida em que se vive como alma encarnada não merecesse bênçãos, resultados satisfatórios dos seus trabalhos, amor e carinho?
Como se não bastasse a promessa do tal Inferno após a morte, para alguns outros aqui também ele já está inserido e só depois virão as graças desde que seja para seus afins? Porque o ser humano em sua maioria se deixa levar por esses caminhos que escurecem a consciência em vez de trilhar em direção a luz, porque muitos de nós no passado, agora e tudo indica que também no futuro continuamos presos a estes sofismas de dores infindas ? Quando a maioria irá fazer perguntas a si próprio e deixar de caminhar sobre as trilhas de respostas prontas de “cegos que guiam cegos e ambos caem no mesmo buraco”? Talvez a reposta para tudo isso seria o medo!
Da mesma forma que temos medo da morte, temos também medo de viver. Entrar na vida física e assumir todas as responsabilidades dos nossos atos, cumprir conosco mesmo as metas nobres de convivência com o próximo, arrastar uma existência permeada de graças e amarguras, evoluir intelectualmente e espiritualmente, esse é o mais árduo dos trabalhos. E ninguém precisa apontar nossos erros, sabemos nitidamente cada um deles e muitos mesmo antes de praticá-los. A complexidade dos relacionamentos familiares e sociais, um exercício exaustivo diuturno e sem tréguas e como ainda somos imperfeitos caminhamos de braços dados com a verdade e a mentira, essa dualidade como o joio e o trigo que ceifando antes da hora, um perecerá o outro.
O burburinho de alegrias e o som dos lamentos espalhados pelo mundo nos atingem, as alegrias são passageiras os lamentos permanecem por tempo indeterminado, enquanto para uns esses fatos desastrosos e tristes são motivos de reflexões, crescimento e despertar para a realidade evolutiva do espírito, para outros são como sombras escuras que pairam sobre suas mentes se enchendo de pavor e medos. Os “finais dos tempos” acontece todos os dias a cada nova mudança de comportamento de forma individual, novos conceitos, novas visões.
As hecatombes materiais são forças da natureza que não dominamos, podemos sim ser grandes colaboradores de desgraças nesse sentido, presenciar ou também perecer nessas tragédias, mas crer que a raça humana ou animal e vegetal será varrida do planeta seria negar nosso próprio passado milenar e a Paternidade Divina . O fato é que, o tempo gasto por muitos plantando “medos” se fosse usado para o oposto, amar a vida e a Deus, e não temê-lo, de se lançar com Fé e coragem e não com insegurança no porvir, fatalmente não haveria quem temesse o tal fim, e esse “comércio do fim dos tempos” deixaria de exercer esse fascínio, enquanto a humanidade não atingir esse grau de elucubrações coletivas, teremos ainda dezenas e dezenas de datas fatídicas..
Leo , que linda postagem!!!
ResponderExcluirPrincipalmente num ano onde há tanta baboseira de fim do mundo, lua do dia 29 e mais um tanto de coisa!
Amei!!!!
Beijos
Selma