Espinho na garganta a boca é muda e
as vezes canta,
de mãos em mãos lá se vão as contas, de cada tento uma dor e um tormento,
as pontas não se encaixam, nada se
acha e nada se encontra,
as ruas são retas, outras tortas,
mas a vida é santa.
O gato já foi escaldado
o couro esticado e já virou tamborim,
já rola na rua uma vida bandida
que Deus lhe deu,
as cordas tensas e de pernas
bambas vejo espantado que o gato sou eu.
Das sete vidas fiz vinte e uma, estiquei
o tempo, o seu e também o meu,
de cima do meu telhado já dei a
volta ao mundo, hora de nobre outras de vagabundo,
perseguindo a sorte e abandonado
pelo destino,
caindo sempre de pé, o corpo já velho,
mas os sonhos de menino!
Nenhum comentário:
Postar um comentário