Vivo em vigília para que o anjo da tempestade
não se acorde, ele tem o dom de provocar os raios, e muitos deles já caíram em
meu telhado, nessas horas, me misturo com as sombras, prendo a respiração, tapo
os meus ouvidos, fecho a boca e os olhos, o meu respirar, o brilho dos meus
sonhos me faz revelar, e ele se vira de dedo em riste a me apontar, com a sua
ira ele acorda o diabo e deuses, e na altura da vida, de dedos, já me basta os
meus.
(Léo Fernandes)
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