Foi da janela da vida que vi todos os verões passarem, contei todas as migrações dos pássaros em revoada, uma liberdade não a mim permitida. Vi cobrir de flores os campos e a neve mudar cenários, amores em formações, chuva de lágrimas e decepções, passaram pela rua amores verdadeiros, a inocência perdida, o clamor pela paz ensanguentada e a cruz levando a morte pelas mãos da iniquidade. Meus olhos estão fartos, anseio por novas visões, outras janelas, outra rua, estou cansado não olho mais a vida, olho o céu, as estrelas e sonho com a lua.
Léo Fernandes
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