Na minha rua, passa o carteiro o carrinho de picolés, o velho que vende rosca de trança e pão de milho, o homem que compra tralhas e arrumam fogões, pedintes, gente esmolando, há crianças brincando, cachorro latindo e uivando para lua, vizinhos que cantam e que ouvem rádios, os que são alegres, os que são escondidos e os que tudo vê.
Pássaros que fazem ninhos, botam ovinhos, árvores frondosas, folhas rolando pelas calçadas, risadas, uma farra danada um Deus nos acuda! Gente que não fala nada quase muda, na porta de minha casa pelo sim e pelo não eu tenho um pé de rosas e outro de arruda!
Léo Fernandes
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