Acontece de repente quando a angústia me visita sem ser convidada e me faz sentir encarcerada nessa prisão de carne e osso, com sofreguidão seguro nas fitas que amara a esperança e me sinto flutuar igual às borboletas...
Nesse voo plaino nas alturas, e com os olhos de águias vejo com nitidez as desgraças espalhadas tentando fazer sombras por sobre todas as graças santificadas, e sentido o peso da vida pouso calmamente.
Sento-me diante de uma xícara de chá...
O vento calmo da tarde balança as folhas do coqueiro como se zombasse da minha viagem imaginária e estivesse à minha espera, vejo o João de Barro construindo sua casa no poste de luz no emaranhado de fios, e na grandeza desse desafio, um pássaro tão pequeno e tão grande me fez ver que sou grande e tão minúscula e é tão certa e tão justa a minha luta, que sorrindo envergonhada só me resta agradecer, por nessa prisão ainda viver...
Léo Fernandes

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