sexta-feira, 9 de junho de 2017

A filosofia Espírita, não tem a pretensão de mudar mentes, comportamentos e crenças de ninguém e também não proíbe absolutamente nada, ela, apenas é partidária da Evolução humana, cada coisa há seu tempo, na idade sideral de cada um. Sua base é pautada nos Evangelhos de Jesus, na comunicação dos Espíritos, na reencarnação, diga-se de passagem que a reencarnação é tão velha quanto à humanidade, foi e é interpretada por muitos, encaixando de forma simplista, tendenciosa, confortável e execrada, atendendo às particularidades humanas dentro de suas crenças, daquilo que as tornam tranquilas quanto ao seu futuro como Ser.
Um dos pilares dessa filosofia é a explicação sobre o destino da dor e do Ser. Como pode Deus, ser justiça pura se há tantas disparidades entre os seres, tanto físicas, morais e culturais? Uma criança pode já nascer morrendo, a outra vive apenas poucos anos, morrem de doenças trágicas, acidentes, balas perdidas, maldades grassais, vítimas dos familiares e de toda uma sociedade. Outros com idades de franco trabalho, em segundos perdem a vida, ou se tornam aleijados e amargam essas penas por anos a fio. Outros passam fome, frio, misérias de todas as procedências, ao passo que ao lado de tudo isso, não só os maus prosperam como ainda há os de vidas estruturadas, e até belos fisicamente?
Que Deus é esse que permitem tantas graças a uns e tantos sofrimentos a outros? Não são todos seus filhos? São verdadeiramente seus filhos, e todas essas anomalias não são obras suas, mas sim do homem!
O nosso retorno é sempre com o compromisso de reparações de erros, mas ao reencarnar os nossos defeitos e qualidades mostram-nos a que viemos. É evidente que o sofrimento é mais usado por aqui, a frase “a carne é fraca” um jargão popular explica algo bem mais sério do que se imagina. Não é a carne que é fraca, mas sim o espírito. Essa depuração poderia ser feita através de renuncias e amores, de caridade e de piedades, tanto de si próprio como coletivo, mas é através da dor que nós nos igualamos por hora, isso no contexto geral. Cada vez mais nós nos espantamos com os níveis de crueldade que grassa no mundo. Isso é indício forte de evolução, esse sentimento de indignação, mas nós ainda
nos calamos e fazemos ouvidos de mercadores pelas dores de nossos irmãos. A nossa responsabilidade com o mundo humano é semelhante aos grãos da terra, que são minúsculos, mas sem eles ela não existiria. O nosso “fazer o bem”, mesmo que simplista soma-se ao bem maior. Quando se trata de Bem, de Amor, de Solidariedade, de Caridade, de Preces, nenhum sentimento dessa nobreza é em vão. Não importam as crenças, Deus não deixou crenças diversificadas, isso são coisas humanas.
Deus é Amor e é desse amor que viemos e para ele voltamos, quantas vezes for necessário! Não importa se homem está ou não, disposto a crer na reencarnação, mas Ela é a resposta. As empatias gratuitas, a intuição sobre algo, o parecer que já executou determinada tarefa, sem ter feito nessa vida. O sentir que alguém não é o que se mostra a certeza de que algum caminho que possa tomar será o certo ou errado, muitas vezes o que chamamos de “intuições”, são apenas reminiscências de algo já vivido em outras existências. A genialidade tanto na Ciência, como nas artes, tanto do bem como do mal são bagagens de cada Ser angariadas em suas vidas pregressas. Trazemos e conquistamos outras enquanto reencarnados, ressarcimos dores e podemos criar dores, isso se chama viver. Teremos os resultados de todas as nossas ações, em uma vida muito se limpa, e somos vítimas e algozes. Jesus disse aos Apóstolos no Templo certa vez que; " de todos ali que depositara oferendas no gazofilácio quem mais doou foi à viúva, pois muitos deram as sobras, ela deu o seu único bem”. É isso a vida, não há necessidade de grandes feitos para viver bem, mas sim de pequenas atitudes em grandes quantidades.

Léo Fernandes

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