Os laços consanguíneos são espíritos
endividados entre si, já estão mesmo na condição de parentes para amarem e
perdoarem defeitos uns dos outros, e também alavancar moralidades,
conhecimentos, aprimorar intelectualmente e desenvolver o sentimento de
fraternidade.
Para que esse trabalho todo seja bem qualificado é natural que
muitos de nossos parentes, assim como também nós mesmos, sejamos uns dos outros
antagônicos, como bem disse Jesus “os são não precisam de médicos”.
A família é
composta por aqueles que cobram, e os pagam, e os que a mantém. Os que cobram
são aqueles espíritos que foram lesados em outras vidas, e não perdoaram, os
que repõem são os devedores que pagam com amor ou ainda com ressentimentos.
E
há ainda um terceiro elemento, aqueles que não devem e nem cobram, são os
pilares de sustentação dessa família, eles nascem nesse núcleo com esse
propósito mesmo, são os balizadores das contendas morais, eles unem, ajunta-os
com amor e paciência, para que essa família não se desagregue por completo.
Muitas vezes o ódio entre alguns desses elementos é tão visceral que culmina em
mortes trágicas, o desamor é tão gritante que o sangue, a criação em nada
surtiu efeito na alma do indivíduo. O fato é que, as variantes do sofrimento de
uma família são tão grandes e continuáveis que se fôssemos enumerá-los nós nos
perderíamos nos mares dos porquês, e nem sempre teríamos respostas.
O homem
sábio não se preocupa em saber se deve, ou se sustenta, e sim se é o cobrador,
esse sim corre um grande perigo, porque esse elemento nessa condição, por estar
em seu direito pode facilmente ultrapassar a linha de sua cobrança. Vindo a ser
um carrasco cuja paga em nada aplaca a sua ira. Dentro de toda essa dor por
mais que muitos concluem que não valeu a pena, não é verdade, o sangue, o
convívio, deixa marcas cujo tempo não apaga, é na verdade a semente de
entrelace do amor que germinará a qualquer tempo na alma de um Ser.
Léo Fernandes
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