Hoje vejo o mundo como via meus pais, percebo agora que os Natais que tivemos e ainda teremos serão sempre iguais. A única particularidade é a visão de cada um respeitando a idade daqueles que estão vivenciando esses momentos. Na infância quando se aproximava o dezembro, a expectativa desse dia carregados de promessas compensadoras, comprometidas com as nossas próprias, e estas sempre quase nunca cumpridas, nos enchiam de alegrias e esperas da chegada do Bom velhinho, quem sabe um presente melhor do que pedimos.
As crianças teimavam em adormecer, de olhos abertos no escuro ouvindo os adultos e nem percebiam que até nesse dia, a casa cheia de amigos ou parentes distantes, depois ou antes da ceia, os assuntos muitas vezes eram o cotidiano e a vida de cada um. Suas dores e seus sonhos eram contados em um misto de expectativas da mesma forma que as crianças na esperança de que, o Novo Ano lhes trouxessem melhores sortes, e que nesse dia tão especial do Nascimento do Filho de Deus um milagre viesse estancar suas dores e alavancar seus sonhos novamente.
Uma espécie de cordialidade coletiva como se fosse uma chuva passageira em dia de sol escaldante , fazia com que as pessoas se mostrassem mais afáveis. Em nossa humilde casa nesse dia, as vezes uma bacia de pamonha quentinha enchia o ar com aromas convidativos, nossos pais e tios envolvidos nas atividades da cozinha provendo as iguarias não costumeiras, vez outra, abaixam a voz e com olhares por sobre os ombros se falavam aos cochichos.
E os janeiros se foram e depois de meio século compreendo muito bem esse olhar!
Há dias de hoje , repetimos assim como nossos pais esse mesmo "ritual", fazemos o impossível para que em nossas crianças esse Espírito Natalino se mantenha, que os presentes sejam algo jamais esquecidos e que esses momentos sejam gravados na memória de cada ente querido e que ele cresça mantendo a tradição do Nascimento de Jesus. Na esperança de que, uma vez adulto ele venha compreender que o dia de Natal é todo santo dia.
Feliz será o adulto que vez outra, olhar o Natal por sobre os ombros, que em meio ás risadas e cordialidades, sonhem bastante mas não esquecem a dura realidade que deve ser exercida de forma intrínseca, que o perdão ao próximo , o alijar de mágoas, a esperança há de ser exercida no dia a dia. Que os presentes matérias são apenas artifícios pra que seja fixada essa data e que esse alegria repentina deva ser prolongada.
A constatação de forma clara que, Jesus espera um único presente de toda humanidade, por séculos Ele espera de braços abertos os nossos corações puros. Ele compreende sim, nossos arremedos comemorativos em direção ás suas Palavras, espera pacientemente nossos passos vacilantes. Mas devemos ser sábios. Para repetir nossos pais, para eles, esse dia era sagrado, mais carregados de cuidados entre a fé e sonhos e nos preparam para realidade na medida certa.
Quem sabe olhar o Natal por sobre os ombros, não deixou a criança envelhecer e o adulto morrer...
Leo Fernandes
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