A folha de papel espera paciente a caneta que repousa por sobre a mesa...
O abajur aceso desafia a escuridão do ambiente de forma acanhada
Encostado na sacada o homem observa a cidade iluminada
O vento fresco suaviza a expressão em seu rosto
E nas suas costas as palavras vagueiam pela sala...
Umas dançam enquanto outras o acusam
Muitas choram e algumas enlouquecidas lamentam quando foram usadas
E várias delas se digladiam expondo suas razões
As mágoas se sentem diminuídas perante as culpas
A dor reclama o cetro como senhora absoluta
E a folha de papel espera a caneta inerte...
Vacilante se volta caminhando em direção a mesa e o homem entende
Que as palavras reclamando os seus direitos possuem suas verdades
Acaricia os próprios cabelos com os dedos abertos
Sentindo-se uma criança que precisa de afagos
Respira longamente esboçando enfim um sorriso resignado
E a folha aguarda a caneta que levanta...
As palavras se calam por momentos na espera de serem enaltecidas
Muitas delas de forma grotesca torcem suas faces quando humildade se faz presente
Outras se vão porta a fora dando espaço para a resignação
Algumas se sentem injuriadas diante do majestoso perdão
Novas palavras se juntam e as mãos se dão
E a caneta trabalha sentindo o coração batendo na ponta dos dedos
O som é de paz perdão e sem medo
E a folha de papel agradece as palavras harmoniosas...
A sala se cala em silêncio profundo enquanto a caneta se deita exaurida
O homem se levanta e sai a passos lentos porta a fora
E a folha registrou uma história de vida
Onde a saudade permanece e o amor vai embora...
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