Nasceu nos meados de agosto quando as folhas caiam, na cidade de Querência do Jalapão o filho da bela Jacira e Antônio Maria. Sendo o quarto dos filhos, era bem franzino e branquinho, mal chegara já era o mais cuidado sendo os outros mais forte e moreninhos.
Não era fraco nem molenga pegava no serviço como qualquer um, mas desde cedo já se via a diferença na família. Era sempre educado, amigo dos amigos e se tinha mal querer procurava solução, sempre alegre e sorridente com as mãos entendida, o apelido veio cedo entre troça dos amigos, era o santinho do pau oco, ou Jesus de Jalapão.
Ao chegar a adolescência, pra desgosto de Antônio, seu filho era um doido ou tinha um bom coração e do que sabia do mundo isso não era nada bom. Advertia o garoto dos perigos do inimigo, esse mundo era do cão e o mal espreita a cada esquina, o bem não era pra qualquer um enquanto o mal era de todos, que ficasse mais esperto a cada dia que passasse pois a vida era dura, batia nos fortes e nos fracos sem piedade ou distinção.
E assim cresceu o moço sempre alegre e disposto, pra alegria de alguns e pra outros muito desgosto, ele era adivinho, um sábio do sertão e falava com os mortos sem embromação, viajava no passado e vasculhava o presente, se adiantava no futuro com a verdade sempre a frente, não cobrava pelo serviço, sua paga era o sorriso, era sempre procurado por tudo e por nada, e suas respostas agradavam alguns e a outros magoavam.
E os verões se sucederam, passo a passo acompanhando as luas, de seu nome que era Julho Sabino ninguém se lembrava mais, casou-se com Firmina, não tão bela nem desprovida, uma moça corajosa e destemida, a retaguarda da família. Jesus de Jalapão seguia firme com Fé e convicção, podia lhe faltar o dinheiro mas amor faltava não.
De avisos em avisos que de sua boca saia socorria os amigos e também os estranhos, seus "Santos " sempre presentes na luta do dia a dia e assim foi a vida de Jesus de Jalapão, estando já de cabelos quase brancos um dia bem cedo veio a visão, um Espírito amigo veio trazer a informação, iria morrer um querido na maior judiação, o cavalo ia quebrar o pescoço de um precioso irmão.
Mal ouviu essa notícia entrou em oração e sua mente já corria vasculhando a região, lembrando de seu compadre que saia na manha seguinte levando um gado pra fazenda de hilário Mourão, que Jesus fosse misericordioso e fizesse isso não, ele era homem honesto um bom pai de família e seus filhos eram pequenos e seria muita judiaria.
Saiu porta a fora como vento na pradaria, ele tinha que avisar o seu amigo que era melhor deixar essa viagem pra outro dia, sua pressa era tanta, nem se despediu Firmina ou relatou onde ia, depois contava ela e ela sempre entendia, encontrando pela rua um amigo que passava, pediu seu cavalo que foi cedido a contento, saindo em disparada correndo contra o tempo.
A camisa branca aberta parecendo duas asas, o coração batendo e a gratidão a Deus na face estampada, ele era um abençoado e sua missão era Divina, que bela Graça ele tinha nessa vida tão difícil e comezinha. E na curva da estrada, uma cotia passou o cavalo torceu o corpo e Jesus de Jalapão em segundos o chão beijou.
A profecia se cumpriu, a morte na verdade era sua, e o sertão entristeceu da noite para o dia, seu velório foi chorado por todos sem distinção, pelos que acreditavam em suas falas e até mesmo a turma das zombarias, todos queriam se despedir da jóia rara de Jalapão. A terra perdeu um homem e o céu ganhou um anjo em formação....
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