quarta-feira, 6 de julho de 2011

Araçá



Da janela vejo a rua
um pedaço de terra sem asfalto e as
mãos descuidadas a encheram de detritos,
um pedaço de serrado que no passado foi bonito.
Vejo com tristeza, cortaram o pé de araçá
que resistia a cidade mostrando a todos que ali é seu lugar...

Que pena, o vôo do Sabiá...
saiu tão apressado e não pode mais voltar,
deixou o seu galhinho onde  ficava o seu ninho,
pousou aqui no muro ainda agora, assustado e arfante
o seu canto é bem triste, da vontade de chorar,
pobre pé de araçá, que pena, Sabiá...

Ninguém ouviu seu canto,
Não tiveram pena do araçá.
O conforto do homem não se compadece do seu penar,
tomba verde ainda o caule do araçá
suas folhas mal caíram já começam a murchar
e a lembrança do serrado acaba de se findar...

Voe Sabiá...
Onde não possam te encontrar,
abre suas asas nesse céu azul e esqueça o araçá,
o homem a muito não se lembra de quem  era esse lugar...

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