“...Miguel teve seu despertar tranqüilo, Agustina o aguardava com carinho, sorriu
ao vê-la, sentou na cama e já preparava para perguntar por Solano, quando o avistou se atirou em seus braços em consternados
soluços.
Solano acalmando-o perguntou o porquê de tamanho desespero
sendo justo ele conhecedor de suas mazelas? O que aconteceu de tão grave
estando assim em desequilíbrio?
Meu amigo ajude-me,
interceda junto de Jesus, não posso continuar, quero voltar...
Dora não me aceita, suas
angustias atingem-me, ela sequer considera-me, sou um estorvo em sua vida! Quando
saí daqui achei que conseguiria, hoje vejo a dificuldade em que me encontro.
Não consigo desempenhar
uma simples função compatível com minha idade. Mal sei escovar meus dentes, um peso para
todos por onde ando. Angustias assolam minha alma.
Eu sei que não há laços
entre nós, ela está minha mãe!
Não tenho palavras
articuladas para expressar algo que a faça mudar de idéia, apenas meu sorriso
débil e meu abraço que ela os repele constantemente. De resto remédios, brigas,
e desgosto!
E seu pai, Miguel!
Meu pai é amoroso sinto
de verdade, sofre muito, mas há algo mais que eu não sei explicar, deve ser
outras coisas não relacionadas a mim.
Miguel, precisa encontrar equilíbrio e pensar, sabes
que Amadeus está contigo e seu anjo de guarda sempre presente, sua ligação
direta com Deus nosso pai!
Quanto aos seus pais saiba bem que estão na medida
certa para suas necessidades. Já se passaram cinco anos do calendário terreno, lhes
restam vinte anos, se desertares agora, terás que começar novamente e tudo
indica que serás igual.
Portanto amigo descanse um pouco, dê uma volta no
jardim, ponderes, peça força a Deus e coragem para sair vencedor. Dora terá que
fazer a parte dela, se ela não conseguir que não seja a mola propulsora da sua
desgraça!”
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