Bati de frente com várias coisas que muitos falam, mas não viram
na queda de braço perdi para a sorte,
e no tabuleiro da vida quem ganhou foi o destino,
nas horas que tive que ser homem, muitas vezes fui menino.
Fui pedra que rola morro acima
atingi muitas mulheres e fui o sonho das meninas,
vi a morte levando gente e a vida devolvendo,
corri contra o tempo e o tempo me devendo.
Nos palácios fui Rei na miséria só mais um,
da fome fiz meu prato das mágoas minha cama,
sentei em dosséis e também rolei na lama,
me perdi e reconciliei, mas ficou a minha fama.
Hoje nado em águas claras e fujo das turvas,
de onde me encontro sei o do que estou dizendo,
mesmo estando, morto continuo vivendo, pois
a Luz anda em Linha reta e o diabo faz as curvas.
Escarneci o quando pude sobre a vida após a morte,
era assuntos descabidos falas de gente de pouca sorte,
o orgulho me cegava meu Saber era primeiro
meu despertar foi turbulento e de espanto verdadeiro.
A morte é tão amiga quanto a gestação da mãe querida,
as duas a sua maneira seguem a corrente da vida!
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